Entrevista com Rachel Bassan

Alexandre Massa, editor, entrevista Rachel Bassan, escritora que lança seu romance Bela de Odessa pela Editora dos Editores.

 

EE — Quem é Rachel Bassan? 

RB — Sou uma mulher brasileira de ascendência russa/ucraniana e judaica.  Casei cedo e optei por interromper os estudos superiores para viver no exterior e dar prioridade à minha família. Durante 25 anos me dediquei ao ensino da língua inglesa e outro tanto ao Turismo profissional.  Apoiei marido e três filhos em suas graduações e pós-graduações. A contadora de histórias ficou hibernando dentro de mim. Eclodiu após os meus 56 anos, quando minhas amigas começavam a preparar as suas aposentadorias. Enfrentei um vestibular e cursei Letras na PUC-Rio, me formando em 2014.  Hoje fazer literatura é a minha atividade principal. Publiquei Nada é por acaso – Crônicas da Vida pela Editora Torre e participei da coletânea Crônicas de Oficina, em três volumes, organizada por Carlos Eduardo Novaes.  Com Bela de Odessa chego à ficção, sempre com enorme prazer de escrever.

 

EE — O que aguarda o leitor em Bela de Odessa?

RB — Uma história de amor, a saga de dois jovens ucranianos à época da Rússia Imperial seguida pela primeira fase da Revolução Bolchevique. Há pouca literatura ficcional brasileira que tenha esse cenário como pano de fundo. Em Bela trabalhei sobre a dimensão dessa tragédia histórica na vida de cidadãos comuns.  A história de alguns é a história de todos, de uma imigração forçada, uma busca de refúgio. A ação chega aos nossos dias. 

 

EE — Qual foi sua motivação para escrever esse livro? Como surgiu a ideia de escrever esse romance histórico?

RB — Este meu Bela foi imaginado desde tenra idade, durante as noites passadas ao lado de minha avó, uma exímia contadora de histórias. As prediletas eram as de sua Odessa. Eu me apaixonei pela Rússia aos oito anos de idade.

 

EE — Mas Bela é uma personagem de ficção. Como foi a construção de seus personagens?

RB — Tive a preocupação de retratar as pessoas com hábitos e costumes fidedignos.  Suas idiossincrasias, seus sonhos e desejos. Os núcleos familiares foram criados para dialogarem com os personagens históricos da época, sempre com o cuidado de manter a verossimilhança.

 

EE — Seu livro cita vários lugares na Europa, nos Estados Unidos e no Brasil. Você fez pesquisa de campo? A que fontes recorreu para a ambientação de seu romance?  

RB — Fiz três viagens à Rússia, Ucrânia e Turquia. Voltei à Nova Iorque que já conhecia bem. Refiz o caminho dos personagens, andei por onde eles andaram, dormi nas camas em que eles dormiram, visitei os cenários que eles viram e imaginei como seriam então. Pude quase sentir seus medos e suas alegrias, me deixei levar pela emoção. Minha escrita é muito emocional. Sou apaixonada por História, não uma historiadora. Contei com a assessoria de historiadores, literatos e guias especializados que me transportaram para aquela época.  Além disso, consegui livros antigos de grandes escritores contemporâneos que narraram — em diários, contos e romances — a realidade daquele momento. A internet foi também uma companheira útil ao longo do processo de criação.

 

EE — E a fase de escrita propriamente dita, como foi?

RB — Muito trabalho de escrever, revisar e reescrever diante do computador. Um trabalho que parece não acabar. Como companhias inspiradoras uma garrafinha com água do Mar Negro e um pouco de areia da praia, colhidas em Odessa. Silêncio absoluto, apenas substituído por música clássica em alto volume nos momentos de desatar os nós da narrativa e de cenas mais dramáticas. 

 

EE — Você conta com colaboradores para as primeiras leituras durante a criação dos textos?

RB — Tenho um grupo de leitores-críticos, amigos queridos que se dispõem a ler e criticar, além, claro,  de você, meu editor e da Luciana Villas-Boas, minha agente literária. Após a escuta dos comentários e observações, eu faço os ajustes necessários.

EE — Quanto tempo levou para escrever?  

RB — Uma vida inteira… e três anos e seis meses.

 

EE — O que a criação de Bela de Odessa acrescentou à Rachel?

RB — Uma imensa vontade de continuar contando minhas histórias e a certeza de que meu caminho agora é esse.